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O que é o Abril Verde — e por que o setor automotivo não pode ficar fora dessa conversa

  • há 10 horas
  • 4 min de leitura

Todo mês de abril, empresas de todo o Brasil colocam o verde nos perfis das redes sociais, publicam posts sobre segurança no trabalho e organizam palestras para os funcionários. É o Abril Verde — e, na maior parte das vezes, ele passa longe de quem mais precisaria ouvir essa mensagem.


O mecânico que trabalha horas seguidas embaixo de um veículo numa posição que a espinha não aguenta. O operador de linha que repete o mesmo movimento centenas de vezes por turno, em pé, exposto a ruído e calor, sem nem sempre ter acesso ao EPI certo. O balconista que carrega caixas pesadas sozinho porque o estoque está cheio e a entrega atrasou. O motorista de frota que emenda turnos sem descanso. Para todos eles, segurança no trabalho costuma ser um cartaz na parede — não uma prática real do dia a dia.


É exatamente esse gap que o Abril Verde veio tentar fechar.


Todos os anos, durante o mês de abril, o Brasil se mobiliza em torno de uma campanha que ainda chega com atraso em muitas oficinas, distribuidoras e garagens: a campanha pela segurança e saúde no trabalho. E o setor automotivo — que mantém o país em movimento — tem muito a ganhar quando essa conversa chega até ele de verdade.


Capacete de segurança azul com logo SYL sobre fundo com peças automotivas e mecânico trabalhando, com a frase Trabalho seguro é compromisso de todos

De onde veio o Abril Verde


Em 1968, uma explosão em uma mina de carvão em Farmington, nos Estados Unidos, matou 78 trabalhadores. O acidente virou símbolo de uma luta que se espalharia por décadas: a de que trabalhadores não devem pagar com a saúde — e muito menos com a vida — pelo direito de ter um emprego.


Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) transformou o dia 28 de abril no Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil, a data foi oficializada por lei em 2005. E o Abril Verde como campanha mensal nasceu em 2013, por iniciativa de profissionais de segurança do trabalho da Paraíba — e foi crescendo até se tornar uma das principais mobilizações nacionais do setor.


A ideia é simples: usar o mês inteiro para lembrar que prevenção não é custo. É a única forma inteligente de trabalhar.


Os números que explicam a urgência

724.228

acidentes de trabalho registrados no Brasil em 2024 (MTE / Previdência Social)

+10,6%

de aumento no total de acidentes na última década — crescimento real, acima do ritmo de contratações (AEAT 2024, Ministério da Previdência Social)

a cada 46s

um trabalhador se acidenta no Brasil (Observatório SmartLab, OIT/MPT)

93 mil

ocorrências no segmento de comércio e reparação de veículos em 2022 — segundo setor com mais acidentes no país naquele ano (Anuário Estatístico da Previdência Social)

Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego · Ministério da Previdência Social · Observatório SmartLab (OIT/MPT)


O dado sobre reparação de veículos não é coincidência — e não é novo. O setor aparece repetidamente nos anuários estatísticos entre os que mais registram acidentes no Brasil, ano após ano. O motivo está na combinação de fatores que qualquer pessoa da área reconhece: ambientes fechados, exposição a produtos químicos, esforço físico intenso, postura inadequada e uso nem sempre correto de EPIs. É terreno fértil para acidentes — e para doenças que aparecem devagar, sem barulho, anos depois.


O que a oficina esconde que você não vê


Os acidentes mais visíveis — queda de peça, corte de ferramenta, esmagamento — são os que viram estatística. Mas o setor automotivo carrega uma lista longa de riscos que não aparecem no boletim de ocorrência, não geram afastamento imediato e, justamente por isso, raramente recebem atenção. São os riscos que se acumulam em silêncio, dia após dia, até que o corpo apresente a conta.


Qualquer mecânico reconheceria esses riscos se parasse para pensar:


  • Agentes químicos: Óleos, fluidos de freio, graxas e solventes com substâncias que, sem EPI, são absorvidas pela pele e inaladas. O contato diário e prolongado tem consequências que a medicina ocupacional documenta bem — mas que raramente chegam ao balcão.

  • Riscos ergonômicos: Trabalhar horas seguidas embaixo de um veículo, em posições que a espinha não foi feita para sustentar. Lesões musculoesqueléticas são uma das principais causas de afastamento entre mecânicos — e quase nunca são tratadas como acidente de trabalho.

  • Ruído e vibração crônicos: O barulho de uma oficina em plena atividade não parece perigoso. Mas a exposição constante, sem proteção auditiva, compromete a audição de forma progressiva e irreversível. Um risco silencioso, em todos os sentidos.

  • Acidentes de trajeto — que são acidentes de trabalho: Com o crescimento das entregas, da logística urbana e dos trabalhadores de aplicativo, os acidentes de trânsito durante a jornada viram estatística previdenciária — mas raramente são reconhecidos como o que são: resultado de condições de trabalho precárias e inseguras.


Acidente não é azar. É consequência.


Essa é a frase que resume o espírito do Abril Verde. E é a que mais incomoda quem prefere não assumir responsabilidade.


No Brasil, jovens de até 34 anos representam mais de um terço das mortes por acidentes de trabalho típicos. São pessoas no começo da vida profissional, nos primeiros empregos, com menos treinamento, menos acesso a EPI, menos noção dos riscos que correm. É exatamente aqui que a cultura de prevenção faz mais diferença — e onde ela mais tarda a chegar.

Prevenção não começa com planilha de conformidade. Começa com o vendedor que orienta sobre qual pastilha é mais segura para o mecânico que vai instalar, com o dono de oficina que não terceiriza o risco para o funcionário mais novo, com o fabricante que não trata o produto como uma commodity — mas como uma escolha que tem impacto real na saúde de quem trabalha com ele.


Por que isso importa para a SYL


A SYL fabrica pastilhas de freio. Isso significa que nossos produtos chegam até o mecânico antes de chegar até o motorista. E a cadeia de segurança começa aí: na qualidade do material, na composição da fórmula, na clareza da embalagem, no suporte técnico que o revendedor oferece.


Segurança que move não é só o freio que para o carro. É o profissional que instala esse freio chegando em casa inteiro no fim do dia. É por isso que o Abril Verde é um mês que nos diz respeito — e que vamos levar a sério.

 
 
 

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